Este assunto poderá dividir as opiniões, porque também existe muitas variáveis no mercado imobiliário que fazem com que as pessoas tenham falsas perceções do que é o mercado imobiliário. Mas entre os vários fatores diferentes que podem influenciar a velocidade com que o mercado desça, para mim, o maior é da natureza humana.

Na realidade, não há razão para um mercado cair tão rápido quando acontece, mas a descrença e o medo que levam as pessoas a ficarem receosas e, por meio de seu próprio cinismo, provocam diretamente a quebra do mercado.

Explicando melhor o meu pensamento…

A psicologia desempenha um papel importante nos nossos comportamentos socioeconómicos, por isso facilmente influencia também a perceção do mercado imobiliário. Existem muitos fatores que mudam psicologicamente a mentalidade das pessoas e por si fazem o mercado imobiliário cair mais rápido do que deveria ser. A maioria das pessoas não entendem que está no controlo do seu próprio destino, que sua mente tem o poder de criar tudo que pretende só que a descrença é maior e acabam por canalizar os pensamentos para o lado negativo por isso se concretiza tudo ao contrário do que se pretende.
Então podemos dizer que todos nós somos responsáveis pelo comportamento do mercado imobiliário, que tanto sobe como desce. Não me recordo de um período em que o mercado imobiliário fosse constante, com um crescimento orgânico e com uma quebra já prevista e controlada.

“Na realidade, não há razão para um mercado cair tão rápido, quando cai, mas a descrença e o medo que levam as pessoas a ficarem receosas e, por meio do seu ceticismo pragmático, provocam diretamente a quebra do mercado.”

Todos sabemos que uma avalanche começa com um pequeno impulso e em formato pequeno e, em seguida aumenta gradualmente até se tornar um grande problema. O mesmo conceito se aplica no mercado imobiliário que pode mudar repentinamente, o que quero dizer, que tudo começa por um pequeno grupo de pessoas que decidem querer preços de suas casas fora do parâmetro do mercado. Mantendo os preços bem altos eles esperam vende-las alguém disposto a pagar a um preço ridículo. Este pode não ser os números realistas, mas basta alguém crédulo o suficiente para comprar por aquele preço, iniciará uma nova tendência e outras pessoas começarão a aumentar o preço das suas casas igualmente.

Embora possa parecer que estas casas não representam nada de transcendente por serem casos isolados num mercado amplo, o facto é que a sua influência cresce gradualmente. Tal como uma avalanche, este aumento acaba por ganhar uma dimensão de escala. Assim como funciona a democracia, cada voto conta e quando milhões de pessoas acreditam que um voto não importa, ele passa a representar uma alta percentagem da população. Da mesma forma o mercado imobiliário começa a sentir esses efeitos semelhantes.

Quando as expectativas dos proprietários se distanciam da realidade do mercado, optando por valores desajustados, geram um efeito de contágio. Estes dados inflacionados acumulam-se nas plataformas profissionais, criando uma perceção distorcida que acaba por influenciar tanto compradores como outros vendedores.

Embora os consultores sejam capazes de permanecer equilibrados e reconhecer o que está a acontecer, a maioria dos proprietários não está ciente do que está a acontecer, e essa falta de visão sobre o mercado imobiliário e até mesmo falta de literacia financeira, causa pânico.

Por isso decidi escrever este artigo, porque vejo que ainda existe uma barreira linguística e ideológica dos consultores para com os donos das propriedades, e como não é do conhecimento comum pode causar grandes problemas.

O que tende a acontecer como efeito colateral é que as pessoas começam a ver números enormes nos sites profissionais de venda de imóveis e um monte de propriedades superinflacionadas, dá azo e asas à imaginação das pessoas para pensarem que a bolha está prestes a estourar, então retraem-se. No entanto esse é apenas um problema entre outros.

Um segundo problema, no meu ver é bem pior, são os vendedores ilegítimos, que não têm nenhum interesse sério em vender sua propriedade pelo preço certo. O que tende a acontecer com este tipo de vendedores é que colocam um preço altíssimo em suas propriedades à venda e ao contrário do primeiro grupo de pessoas que falei, eles não têm intenção de vender a sua propriedade, apenas querem ver se conseguem um comprador disposto a pagar o dobro do valor. Vamos lá ver, é claro que eles querem vender as suas propriedades, mas não a menos que recebam um valor severamente inflacionado.

Expectativas de preço excessivamente otimistas não afetam apenas o imóvel em questão; elas impactam o ecossistema imobiliário como um todo. Valores desajustados criam uma perceção errada do mercado e travam a engrenagem das vendas reais, prejudicando a fluidez necessária para que o mercado imobiliário continue a crescer de forma sustentável.

Estes perfis de venda, muitas vezes sem uma motivação real de negócio, acabam por introduzir ruído e distorcer os indicadores nos portais imobiliários. Esta falta de critério dificulta o trabalho de quem procura um equilíbrio de preços justo e fundamentado. E poderá ver com facilidade como este tipo de promover propriedades rapidamente se torna um problema, especialmente quando essas propriedades continuamente entram e saem do mercado.

É um facto observável a existência de propriedades que permanecem listadas nos portais imobiliários por períodos excessivos, atingindo, por vezes, a marca dos quatro ou cinco anos. Este cenário gera uma perceção distorcida junto do público; a estagnação de determinados ativos leva a uma descrença generalizada, onde o mercado é erroneamente interpretado como “parado” ou carente de novidades. No entanto, esta leitura é frequentemente apenas o reflexo de imóveis cujas estratégias de preço não acompanharam a dinâmica atual.

A moral desta história é precificar suas propriedades corretamente, porque quando alguns proprietários agem de forma egoísta o mercado sofre.

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